CURSO DE ROTEIRO  escrito em segunda 28 julho 2008 15:58

Essa é para aquele que sempre quis saber como é que se escreve um roteiro de filme, TV, quadrinhos, teatro e demais mídias onde pode-se contar uma história.

É um curso desenvolvido por mim, baseado nos cursos da área que fiz e no que trabalhei também. O curso será ministrado na Tecnoponta Treinamentos, que está investindo pesado na área de cinema, não ficando apenas na área de informática.

A turma está se formando, ainda restam vagas e para quaisquer informações, o link é este aqui (só copiar e colar no navegador):

http://www.tecnoponta.com.br/cursos/roteiro-oficina-roteirista/

O início das aulas está agendado para o dia 20/08.

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CINEMA: BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS  escrito em segunda 21 julho 2008 21:18

Neste final de semana assisti a Batman - O Cavaleiro das Trevas. Ainda bem que publico meu parecer sobre esta produção em um blog e não em algum conceituado

veículo de comunicação, coisa que estou mais acostumado, vide os tempos d´A ARCA e, agora, do DELFOS.

Digo isso porque aqui vai um aviso: SE VOCÊ NÃO ASSISTIU AO FILME, PARE DE LER AGORA. NÃO POSSO FAZER JUZ A ESSA PELÍCULA SEM CITAR SPOILERS.

Pronto? Então vamos lá.

A humanidade é podre? Não é? Tem salvação? Não tem? Através de todos os personagens e do modo como Batman (Christian Bale) encara sua fanática missão é que

questões como essas são levantadas. E já vou logo para o cerne do filme, porque não vou perder tempo postando o resumo da história aqui porque como já

citado, esta é uma crítica para quem já assistiu a mais nova aventura do morcegão nas telonas.

Da forma como o Coringa (soberbamente interpretado pelo infelizmente falecido Heath Ledger) é proposto, eu o vejo como a representação dos instintos mais

básicos e contundentes do Homem. Em uma situação de vida e morte, você recorreria ao seu instinto animal de sobrevivência e deixaria outra pessoa se dar mal

para poder ver mais algum amanhecer? E se você acaba deixando o véu da sociedade cair e aceita que, mesmo no dia-a-dia as pessoas são assim, não precisando

estar em situações de risco? Você dormiria mais tranquilo à noite? Como ficaria sua consciência? O coringa é sádico, medonho, sem limites, total e

completamente anárquico. E é como ele diz: mata, rouba, causa o caos e não por materialidades ou "pelo dinheiro" e sim para "passar uma mensagem".

Como na graphic novel A Piada Mortal, soberbamente escrita pelo britânico Alan Moore (onde há muitas referências no filme), ao chegar no final, é impossível

não ter a sensação de que apesar de tudo, o Palhaço do Crime é o único sinceramente são em um mundo onde milhões são gastos para produzir programas fúteis

como a maioria dos mostrados por canais como o E! Entertainment Television ou pessoas "da elite" que possuem uma casa apenas para guardar sua coleção de sapatos - onde a maioria sequer será usada - ao mesmo tempo em que comida e remédios são negados a povos como o da Etiópia ou Mianmar.

Ao lidar com Batman, o promotor público Harvey Dent (Aaron Eckhart) e o tenente James Gordon (Gary Oldman) e, de um modo igual, mas ambivalentemente diferente de certo modo, o Coringa quer provar por A + B que não temos salvação. E é na degradação dos três personagens, principalmente no caso de Dent - por ser o "homem da esperança" de Gotham - que o clássico vilão quer mostrar seu ponto de vista ao mundo. O Coringa, por incrível que pareça, quer abrir os olhos da humanidade. É um objetivo nobre, mas seus métodos é que não são nada exemplares.

E o pior é que simpatizo com ele.

Ao mesmo tempo em que é um excelente entretenimento, é um senhor tapa na cara de toda a sociedade "moderna" sobre o comportamento que temos para com o próximo. Chego a comparar o Coringa de Batman - O Cavaleiro das Trevas a um "jesus às avessas". Onde o filho de Deus tentava fazer com que nos uníssemos e tivéssemos respeito e consideração para com o próximo através do amor, o Coringa quer o mesmo, mas revelando nosso defeitos ao exaltá-los de forma fortemente perturbada.

E simpatizo com ele devido a certas sensações que sempre tive nos últimos anos e que vem ficando cada vez mais exacerbadas recentemente. E este filme me mostra mais um prova, independente da decisão - talvez contraditória em um mundo real e não em um filme - que os reféns nos dois barcos com explosivos tenham tomado, a humanidade infelizmente não tem o menor pingo de bom senso e... hmmm... "humanidade". Para exemplificar melhor, sou até obrigado a dissecar tais pontos de vista que possuo.

Estou cansado de me irritar. Todo dia o mundo me irrita. A única coisa pior que ficar irritado seria não me irritar. Aceitar... sucumbir... submeter-se... render-se...
 
No processo de criação de cada viagem artística minha, leio toneladas de livros, tantos quanto quem me conhece já deve saber. Livros são simplesmente fantásticos. Eles são muito melhores que televisão. Não me entenda mal, televisão tem toda possibilidade e potencialidade para se tornar ainda mais fantástica, mas, mesmo assim, ela terminantemente falha de novo e de novo - e talvez seja por isso que talvez eu só assista mesmo a seriados e a documentários, qualquer coisa que não seja para passar uma mensagem ou algo mais informativo mesmo acabo vendo como lixo. Então, quanto melhor o livro, mais eu tendo a me irritar. Eles me deixam a par de segredos que são, aparentemente, nenhum segredo. Esses não-segredos apresentados são geralmente uma grande razão para se irritar – sua ausência na mídia contemporânea é uma razão ainda maior. Como é isso? 
 
Os livros me contam sobre a expulsão de indígenas de áreas de mineração de Urânio e armazenamento de lixo nuclear, enquanto que a televisão me vende a imagem confortável de uma indústria segura, ou ainda pior, um outro episódio de novela.

Os livros contam fatos alarmantes sobre nós tendo 800 vezes mais matéria radioativa em nossos ossos do que as duas últimas gerações. Livros me dizem que o sério mundo da ciência é mais ou menos convergente quanto a questões como o aquecimento global, a idade do universo, os perigos físicos e comportamentais dos campos magnéticos e a radiação de telefone celular. Eles também me contam que 75% das pesquisas que alegam nenhum perigo para isso são financiadas pela indústria. Hoje em dia a televisão é falha por não me informar isso.

Seriam necessários somente 30 minutos para George W. Bush ir a uma biblioteca e ler, em um livro de história, os motivos para que sua política só traga ruína e desastre social. Para cada pedaço de informação crucial que me mostra as engrenagens do sistema que faço parte, mais alto devo gritar: "Por que? Por que ninguém me disse isso antes? Por que eu tenho que pesquisar e descobrir isso em um livro? Por que essa informação não está na televisão, nos jornais, nas mentes e lábios de todos?" E é aí onde o livre mercado mostra sua face mais horrenda – em uma sociedade onde até mesmo as notícias estão à venda. 
 
Como é que pode os resultados esportivos ser destaque todos os dias? Por que ainformação sobre tempo é destaque todo dia? Por que eu posso achar diariamente a disposição da bolsa de valores, mas não a maioria das leis que foram votadas e aprovadas nesse mesmo dia? Como é que não ficamos sabendo que recentes testes experimentais mostraram que foram necessárias somente duas gerações para tornar ratos irreversivelmente estéreis após exposição à radiação GSM, enquanto que a fertilização da espécie humana vem caindo juntamente com as colheitas que nós intencionalmente esterilizamos para ter lucro? Ou que suicídio mata mais pessoas do que homicídios e guerras somados, apesar de alcoolismo conseguir vencer até mesmo isso em 250% mais ou menos.

Como é que podemos não saber disso quando sabemos até que a idiota da Paris Hilton mostrou os seios nesse ou naquele bar hoje? Por que me contam os nomes dos 10 mais vendidos artistas todo dia, mas não os nomes dos que controlam as 10 maiores companhias do mundo? E quando a televisão debate sobre o ambiente uma vez por ano, como as pessoas podem debater sobre o aquecimento global, no horário nobre, sem saber que a mudança do clima nos parecerá mais como um tempo instável do que uma mudança na temperatura? E é aí que a coisa se torna mais horrível... porque é isso que queremos. Desagradável, hein? Isso foi o que escolhemos para nós mesmos. 
 
Entenda, eles nos darão o que desejamos, para ter mais ibope, mais compradores, mais confirmação e, enfim, mais dinheiro. "Valor da notícia" é um termo que definimos por nossas ações e reações. Nós dizemos quando uma "notícia vale a pena" ao ligarmos a televisão para assisti-la. Resultados do futebol? Claro! Fofoca? Por que não!? Reality shows humilhantes? Sem problemas! Eles nos alimentarão com o que comemos – os clientes decidem, certo? A definição da era humana contemporânea é então: "A Sociedade da Informação"? "A humanidade cultural"? "A vila global"?

Todos abertos a lances – nós compramos notícias e eles vendem para o maior lance. Alguém aí ainda merece algum voto?

Alguém? Nós decidimos. 
 
Muitas pessoas disseram que música e política não se misturam ou combinam. Nesse caso, música e estupidez parecem ter combinado perfeitamente, desde que a afirmação acima é algo a que só posso me referir como Comentário Profundamente Estúpido (coloque aqui o símbolo de "marca registrada). Tudo é política. A blusa que você usa nesse momento é política. Independente de como ela é ou de quanto ela custou, ela tem uma etiqueta política adicional que diz: "Eu concordo com a companhia que fabricou essa peça de roupa. Eu aceito suas políticas, éticas e ações. Eu escolho apoia-la com meu dinheiro." Porque toda vez que gastamos dinheiro, toda vez que escolhemos falar ou não falar algo, nós tomamos decisões políticas.

Nós mudamos o mundo, se quisermos e aí vai um exemplo: www.care2.com
 
É tudo uma questão de se tornar ciente do enorme poder que temos. Toda canção por aí é política. Melhor, então, é estar ciente da mensagem que você transmite. Melhor, ainda, mudar intencionalmente. Nós decidimos.
 
O Capitalismo falhou completamente conosco nesse sentido, e nós ainda precisamos começar a entender isso. Nós ainda culpamos tudo isso em premissas excepcionais: os comunistas, os anos 80, a natureza, os eleitores, os que votam nulo, a religião, o secularismo... qualquer coisa. Eu culpo VOCÊ. Eu culpo a gente. O fato é que eu posso dizer para Paris Hilton ir se lascar com um simples botão, mudando o canal para o Discovery Channel ou para o maravilhoso mundo da televisão pública de alta qualidade (que aparece em tempo de dar seu último suspiro nesse mundo cínico). Eu posso dizer ao McDonalds, ou Habibs, para ir se danar apenas não fazendo nada, apenas não passando por suas portas. Livre escolha do consumidor. Isso é tão simples. 
 
O Capitalismo me ensinou isso, junto com o entendimento desagradável dos meus outros companheiros humanos nesse planeta.

E se isso estiver certo, eu não sei se devo rir ou chorar. Olha só, se é realmente tão fácil assim mudar o mundo (e é), então só existem duas explicações para o mundo que eu vejo ao meu redor.

Uma explicação seria que nós somos tremendamente estúpidos por não estarmos cientes desse poder e/ou ignorantes o suficiente para não aprendermos.

Eu realmente não quero acreditar que a humanidade é um caso perdido. Eu seria, pelo padrão sócio-político, um revoltado por considerar meus próximos tão estúpidos e egoístas. Isso me deixa somente com a outra sórdida explicação: nós realmente queremos isso. Pronto, falei. Nós queremos tudo isso. Nós criamos tudo isso. 
 
Nós decidimos. Portanto: nós queremos o efeito greenhouse. Nós queremos armas. Nós queremos guerra. Nós queremos a fome do Terceiro Mundo. Nós queremos hierarquias patriarcais. Nós queremos violência. Nós queremos outra seqüência de Pânico, Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado ou Legalmente Loira. Nós queremos tablóides. Nós queremos Fica Comigo na MTV. Nós queremos novelas. Nós queremos George W. Bush. Nós queremos preços mais baixos e menores impostos a qualquer custo social. Nós queremos nossa impressão digital nos aeroportos. Nós queremos o aumento dos cortes nos direitos democráticos. Nós queremos infringir nossa própria integridade. Nós queremos notícias amigáveis para o Mercado. Nós queremos pesquisas científicas financiadas por indústrias. Nós queremos medo.

Isso foi o que decidimos. Isso foi o que escolhemos para nós mesmos (eu acho que a primeira explicação não parece tão ruim agora, né?). Nós trocaríamos a paz global por uma vida fácil num piscar de olhos.

E nós trocamos. Isso é o que me enoja. Isso é o que apavora. Que me marca. Mas, principalmente, é o que me irrita. E como eu já falei pra vocês, estou cansado de me irritar. Mas esse cansaço também me diz que eu ainda não desisti. Meu sistema ainda está lutando. É como uma febre letal em potencial que me diz que ainda existe esperança. Então eu trato com carinho essa esperança como se fosse uma fraca luz no limite de um horizonte escuro, como um afogamento, ignorando o frio em meus ossos por mais um segundo.

Eu me agarro a ela. Ela me faz continuar. Ela me ajuda a sobreviver à fria água que pinga em meus pulmões com toda incansável onda que esse mundo envia em minha direção. Esse mundo que construímos e que continuamos construindo. Nós decidimos. E isso me cansa. Mas esse é o único cansaço ao qual eu aceito me entregar.

Eu estou simplesmente cansado de me irritar – tão terrivelmente cansado de me irritar! E talvez seja uma sensação parecida que o Coringa tenha.

E o mais incrível é o véu que certas pessoas possuem nos olhos. Em uma determinada cena, Batman poderia ter matado o Coringa, atropelando-o, mas não o fez. E escutei comentários de pessoas próximas, dizendo coisas como "Ah, por que não atropelou? Batman viadinho esse..." - a partir disso, fico com aquele pensamento: "É esse tipo de coisa, de não ver nas entrelinhas, que acaba com a sociedade". Batman não pode matar o Coringa como não poderia fazê-lo com qualquer outro criminoso ou pessoa. Não é pela simples razão de se rebaixar ao nível do inimigo. É pelo simples fato de que se ele o faz, nada do que Batman faça para criar esperança no coração das pessoas será válido depois.

Mas quando Bruce acha que poderia descansar com o surgimento de Harvey Dent, o Coringa o destrói, criando o Duas-Caras, para passar mais intimamente a mesma mensagem para o trio de heróis que é passada para a cidade no caso dos barcos.

Tratando-se de um cineasta do calibre de Christopher Nolan, dono de pérolas como Pi, Amnésia e Réquiem Para Um Sonho, não esperaria menos. "Batman - O Cavaleiro das Trevas" prova que uma história de super-herói não precisa ser o esquema descerebrado de "mocinho pega bandido e fica com a mocinha". É o filme do ano, sem dúvida.

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EVERYTHING UNDER THE SUN  escrito em terça 08 julho 2008 14:34

Se tem uma música que praticamente descreve minha vida inteira, é a Everything Under The Sun, do Extreme. Em todos os apectos, sempre foi ela que mais chegou perto de criar a figura do meu verdadeiro eu. E atualmente, devido a recentíssimos acontecimentos, há um pedaço dela em especial que descreve exatamente como me sinto no momento. Eis exatamente o trecho de que falo, posteriormente traduzido para aqueles que não sabem inglês ou tem preguiça:

"... I'm tired of being me,
and I don't like what I see,
I'm not who I appear to be
So I start off every day,
down on my knees I will pray,
for a change in any way
But as the day goes by,
I live through another lie,
if it's any wonder why

AM I EVER GONNA CHANGE?
WILL I ALWAYS STAY THE SAME?
IF I SAY ONE THING,
THEN I DO THE OTHER
IT'S THE SAME OLD SONG,
THAT GOES ON FOREVER
AM I EVER GONNA CHANGE?
I'M THE ONLY ONE TO BLAME
WHEN I THINK I'M RIGHT,
I WIND UP WRONG
IT'S A FUTILE FIGHT,
GONE ON TOO LONG

Please tell me if it's true,
am I too old to start anew,
cause that's what I want to do
But time and time again,
when I think I can,
I fall short in the end
So why do I even try,
Will it matter when I die,
Can anyone hear my cry?..."

 

"... Eu estou cansado de ser eu,

e eu não gosto do que vejo,
Eu não sou quem pareço ser
Então eu começar todos os dias,
Me ajoelhando e rezando,
por uma mudança de qualquer forma
Mas à medida que os dias passam,
Eu vivo através de outra mentira,
se isso é de se admirar

Será que eu nunca vou mudar?
Eu sempre irei permanecer o mesmo?
Se eu digo uma coisa,
Então eu faço o outra
É a mesma velha canção,
Que toca eternamente
Será que eu nunca vou mudar?
Eu sou o único a culpar
Quando penso que estou certo,
Eu percebo que estou errado
É um inútil lutar,
uma luta que já durou tempo demais

Por favor, me diga se é verdade,
Eu sou velho demais para começar novamente,
mas é isso que eu quero fazer
Mas, vez após outra
quando penso que posso,
Eu caio no final
Então, por que continuar tentando,
Se quando eu morrer,
Ninguém me ouvirá chorar?
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CINEMA: "KUNG FU PANDA"  escrito em segunda 07 julho 2008 23:41

E eis que surge Kung Fu Panda, a nova aposta da DreamWorks para 2008 no campo da animação. As imagens, trailers, tudo estava me atraindo bastante para assistir a este filme. Tudo parecia legal demais: design, direção de arte, os atores que fariam as vozes (Lucy Liu, ai, ai...), e muito mais. E claro, as artes marciais, em especial, o kung fu.

E quase tudo foi correspondido. Como diversão, Kung Fu Panda é ótimo, melhor do que a maioria das animações mais recentes, embora quero deixar bem claro que ainda não vi Wall-E, que estão falando absurdamente bem. Po, o panda, na voz de Jack Black é supercaristmático; aliás, todos os personagens são em sua maioria, carismáticos, embora haja casos de mal aproveitamento, como o Macaco, que é ninguém menos do que Jackie Chan, coitado, quase não tem falas.

Primariamente, todos os personagens cumprem suas funções com maestria. Inclusive, Tai Lung, o tigre vilão da película é um dos melhores e mais bem construídos vilões da história da animação, com motivação muito bem estruturada e psicologia extremamente bem cuidada. No começo, sua sombra sempre é uma presença constante, nos fazendo imaginar porque seria tão temido. E quando o faz - diga-se de passagem, a sequência espetacular da cena de fuga da cadeia - mete medo em qualquer um. Mesmo.

Eu, pessoalmente, chorei de tanto rir e foi impossível não sentir um tiquinho de emoção verdadeira, lá no fundo do coração com a busca quase impossível do gordíssimo e simpático panda Po. Ainda assim é justamente a motivação dele e como ela se desenvolve que é um dos (poucos) pontos negativos da produção, coisa que comento já, já, pois chegou na hora do resumo da festa:

Po é um panda que tem o simples sonho de se tornar um grande mestre de kung fu. Ele ama kung fu e quer ser alguém de valor onde vive, alguém que possa ser respeitado, alguém que seja lembrado por algo mais notável do que apenas sua habilidade em cozinhar macarrões. Porém, é um zero à esquerda fisicamente falando. Criado por um pai que nem quer saber dos sonhos do filho, Po vive em uma realidade cada vez mais distante.

E uma das coisas que ele mais sonha é conhecer cinco guerreiros lendários, a Tigresa, o Louva-a-Deus, a Garça, a Serpente e o Macaco. E um deles será o grande dragão-guerreiro, aquele que irá derrotar de vez o temido e mortal Tai Lung, um vilão que esconde uma terrível ligação com os mestres desses cinco grandes guerreiros. E eis que surge o dia do anúncio do grande dragão-guerreiro e quando Po tentou conhecê-lo, acabou por se envolvendo da forma mais improvável possível na vida desses lutadores.

Bom, ao menos pra ele, porque a obviedade do roteiro é uma das falhas do filme. Você sabe de antemão praticamente tudo que vai acontecer. Você sabe que, Tai Lung preso, foge. Você sabe que Po, sem querer - ou não - é escolhido como dragão-guerreiro. Você sabe que no final das contas, ele vai aprender artes marciais, mesmo sendo um total néscio. E a existência de um pergaminho lendário que vai dar poderes a ele para derrotar Tai Lung é que vai fazer a diferença, não importa se vai estar aliado a um "ingrediente secreto" dado a ele por seu pai ou não. O roteiro é um amontoado de clichês, onde são disfarçados por personagens carismáticos, situações naturalmente engraçadíssimas e um timing perfeito. Talvez o roteiro de Kung Fu Panda não seja óbvio para as crianças, verdadeiro público-alvo desse tipo de produção, mas com certeza não funcionará com boa parte dos adultos.

Mais duas falhas me chamaram a atenção. A próxima tem a ver com os cinco grandes guerreiros. Ok, eles são legais, bacanas, simpáticos e lendários. Mas... porque? Eles são os ídolos de Po, mas... por que Po tem eles como ídolos? O que quero dizer é que eles mereciam um melhor tratamento, um aprofundamento de características. A única com mais destaque é a Tigresa e só.

A última falha diz respeito à própria mensagem do filme. Ok, é batida, mas é a mensagem de que, por mais impossível que seja o seu sonho, corra atrás dele e se fizer do jeito certo, com pureza no coração, você consegue.

Opa, peraê cara-pálida!

Isso condiciona nossas crianças a querer ser alguém famoso e admirado e, quando elas crescerem e se tornarem genéricas, comuns, vão ficar eternamente frustradas. Sem falar que você não pode fazer qualquer coisa que pense que pode. Ou por acaso se você pegar um bola acreditando que pode ser um novo Pelé vai imediatamente fazer coisas tão especiais quanto ele dentro de um campo? É claro que não.

Então é necessário ter um cuidando um tanto quanto especial nesse tipo de mensagem. Pode parecer exagero de minha parte, mas se eu penso assim, mais gente também pode pensar.

De resto, Kung Fu Panda é maravilhoso, tanto na direção quanto no CG e nos demais aspectos. É uma diversão recomendadíssima.

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E O FILHO PRÓDIGO À MÍDIA TORNA...  escrito em terça 01 julho 2008 22:42

Sim, voltei a escrever sobre entretenimento. Cinema, HQs, música, TV, RPG e outras nerdices que sempre fizeram parte da minha vida agora reaparecem na forma de textos, opiniões e muita saudade.

Claro, muita saudade d´A ARCA.

Porém, como nem tudo são flores, A ARCA não vai voltar e como não queria perder minha veia jornalística, aprendida com muito esforço e suor nos meus dias como arqueiro, agora virei um delfonauta.

É isso aí, agora faço parte da equipe do Delfos e pretendo voltar à boa forma de antes ou, quem sabe, até melhor. Pra quem não conhece o Delfos, taí o link: http://www.delfos.jor.br

Aê seo Corrales, obrigado pelo convite!

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